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A VIDA É COMO UM LABIRINTO


A vida é como um labirinto. Entramos nele sem mapa, sem garantias e, muitas vezes, sem compreender por que certos caminhos nos atraem enquanto outros nos assustam. No início, acreditamos que basta seguir em linha reta, confiantes de que haverá uma saída clara e previsível. Com o tempo, porém, descobrimos que o labirinto não se organiza segundo a lógica do controle, mas segundo a experiência de caminhar sem certezas.


Há momentos em que avançamos confiantes, certos de termos feito boas escolhas. Em outros, deparamo-nos com becos sem saída, retornos inevitáveis e encruzilhadas que exigem decisões difíceis. O labirinto nos ensina que recomeçar é sempre possível e que isso nunca representa fracasso, mas uma oportunidade de reinvenção.


As paredes do labirinto também simbolizam nossos limites: medos, traumas, expectativas alheias e conflitos internos e externos. Muitas vezes, lutamos contra essas paredes quando, na verdade, é preciso escutá-las e enfrentá-las. Elas nos mostram até onde podemos ir naquele momento e nos convidam a buscar outras possibilidades, outros modos de estar no mundo.


Não caminhamos sozinhos nesse percurso. Ao longo do labirinto, encontramos outros viajantes: alguns seguem conosco por longos trechos, outros apenas cruzam nosso caminho. Cada encontro deixa marcas, provoca reflexões e, de algum modo, transforma nossa maneira de seguir adiante.


Talvez o sentido da vida não esteja em encontrar rapidamente a saída do labirinto, mas em atravessá-lo com consciência: aceitar que a incerteza faz parte do trajeto e reconhecer que, ao nos perdermos, também nos encontramos. No fim, o labirinto não é um obstáculo à vida; ele é a própria vida, convidando-nos, a cada passo, a nos tornarmos mais humanos.


Deleuze e Guattari afirmam que precisamos “ser dignos dos acontecimentos”. Isso significa estar à altura das transformações que eles nos impõem, sendo capazes de criar novas maneiras de ser e de viver a partir do que nos acontece. É como se fôssemos constantemente desafiados a nos reinventar. Para esses autores, a vida se configura como uma montagem, uma articulação de elementos heterogêneos — pessoas, objetos, máquinas, ideias e até territórios. É por meio dessas articulações que os processos de subjetivação se produzem, criando novas formas de sentir, pensar e existir no percurso desse labirinto.


Jamais teremos certeza sobre o fim desse labirinto. Sabemos apenas que precisamos continuar o percurso até que a morte chegue. Alguns se orientam pela fé, outros pela razão, outros ainda por ambas. Há também aqueles que se deixam guiar pelos “nortes” dos outros, seja por covardia e/ou ignorância, muitas vezes como resultado de mecanismos de negação dos mundos possíveis. Ainda assim, ninguém atravessa o labirinto sem ser responsável por suas escolhas, por seu próprio caminhar e por seu modo singular de estar no mundo.


Erasmo Lima - Psicanalista


 
 
 

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